
História contada na primeira parte, vamos aos motivos que me fazem considerar a Xbox Live uma experiência online muito mais sólida e integrada que a Playstation Network.
O básico de hoje é o avançado de outrora.
A PSN oferece o básico, talvez um pouco aquém do básico, e não tem nada de errado nisso. Se na geração passada o básico era jogar com quem quer que seja através da internet, o que esta geração exige é:
- Jogar a qualquer hora com seus amigos.
- Comunicar com eles através de voz.
- Comprar DLCs
Todas essas 3 características é oferecida perfeitamente pela PSN, – Com excessão do numero 2, que exige a compra do headset separado – a Xbox Live porém vai além e oferece conteúdo além do básico, da mesma maneira que oferecia conteúdo além do básico na geração anterior.
Integração é fazer a experiência do jogador mais social.
O que a Microsoft propôs com a Live foi exatamente a integração de toda rede, com isso os jogadores se encontrariam em apenas um lugar, não haveria a dispersão que ocorre nos jogos de PC onde cada jogo tem, isoladamente, seu modo multiplayer e os jogos não se comunicam entre si, a idéia da Live era ter um unico lugar para se encontrar e decidir alí o que os amigos gostariam de jogar, funcionou perfeitamente, estamos na época das redes sociais e não há modo mais social do que este modelo.
A Sony por outro lado decidiu seguir o modelo que usou no PS2, cada jogo com multiplayer online e ponto, ela adicionou uma lista de amigos, mas tudo parece muito disperso, muito diferente e, as vezes, inferior ao que se tem na Xbox Live.
Ao longo dos updates a Sony acertou varias outros aspectos dessa socialização, mas ainda não foi o suficiente para fazer da PSN algo comparável ao que se tem na Live hoje.
A voz do povo é a voz da socialização.
Não adianta, se tem algo que faz a live ser do jeito que é, é exatamente a comunicação por voz. Mas o que mais se destaca nessa comunicação é o fato de que os interlocutores não precisam nem necessariamente estar jogando o mesmo jogo ou fazendo a mesma coisa, a integração da aos jogadores a habilidade de se comunicar a qualquer momento de forma fácil, rápida e com qualidade.
O Playstation 3 não foi lançado com este nível de interação em mente, o objetivo da Sony aparentemente era fazer o PS3 algo que somente jogasse online e lançou o console sem ter a comunicação por voz como parte da experiencia que a PSN ofereceria.
Apesar de a PSN ter evoluído bem, o fato do console não acompanhar o headset faz com que a base de jogadores online se divida entre os pouco possuidores de um headset bluetooth e a grande maioria que somente pode se comunicar por texto.
A interface é o prelúdio do sucesso.


A interface é linha de frente de seu produto, é nela que será mostrado o que o console é capaz de fazer, e se tem algo que a Microsoft sabe é disso. O que vimos com o lançamento do Xbox 360 foi uma interface direta e simples, que exaltava as capacidades do console e explicitava os objetivos que a Microsoft tinha com aquele aparelho. Com certeza não era tão bonita quanto a XMB do PS3 mas a dashboard do 360 apresentava uma interface simples porém direta e funcional. A NXE só veio aperfeiçoar e dar uma vida ainda maior a interface do 360, digo que beira a perfeição para a interação online, especialmente a função em que se permite a criação de grupos temporários de amigos e amigos de amigos.

A XMB apesar de ser uma interface belíssima na minha opinião, é uma interface muito fixa, excelente para um conteúdo multimedia mas que não atende os requisitos de dinamismo de uma rede social que se instalou nessa geração. A Sony sabe disso e lançou a Home, um projeto falho para a forma objetiva aos contatos que a Live oferece.
Conquistas pra que te quero.

Se poucos meses após seu lançamento ja não havia duvidas, não é agora que alguém irá confrontar o sucesso dos achievements nas vendas de jogos para o Xbox 360. Há algum tempo postei um artigo que falava exatamente como esse conceito alternativo de pontuação e premiação ao esforço do jogador deu certo e como esse modelo se espalhou para uma infinidade de jogos em diversas plataformas, desde o precursor do modelo, Xbox 360 até jogos de iPhone.
Pois bem, os achievements sempre foram parte da estratégia da Microsoft para o 360, desde seu lançamento 100% dos jogos deveriam ter as tais conquistas, não importava o quão boba ou idiota seja os desafios, mas todos os jogos deveriam te-las. A partir daí com ajuda da gamer tag o sucesso foi montado em cima do sistema, poder desbloquear um conquista ultra-dificil e poder mostra-la para todo mundo atravez da gamer card foi o cerne do sucesso.

Em pouco tempo a Sony aplicava seu conceito de conquistas no Playstation 3, os troféus, como equivalente aos achievements, apesar de estar em crescente implementação em cada vez mais titulos, nunca foram um objetivo da Sony, nunca estiveram na estratégia da Sony para a plataforma Playstation 3, o que acarretou em uma implementação tardia do recurso fazendo algo que não aparenta ser parte do sistema PS3, como algo a parte.
Como disse, isso tende a mudar quando 100% dos novos jogos possuírem o sistema de premiação e quando os titulos que não possuírem o sistema forem caindo no esquecimento, mas agora “the damage is done”… Metal Gear Solid 4 não tem os troféus e esse é um dos titulos que não cairão no esquecimento.
O conteúdo do pacote denuncia seus objetivos.

Se há algo que explicita o objetivo do produto é o conteúdo de sua embalagem, ao abrir uma caixa de um 360, independente de ser um modelo Arcade, um Go Pro ou um Elite, o que ela armazena é exatamente aquilo que a Microsoft propõe para aquilo que você comprou.
Vejamos o modelo intermediário, o Go Pro, ao abrir sua embalagem o que o jogador irá encontrar além do console em si será um headset para a comunicação online que é parte fundamental da experiencia da Xbox Live, um cabo de rede para ligá-lo a internet (Concordo absolutamente que passou da hora da Microsoft agregar valor ao console embutindo uma conexão wireless ao Xbox 360), um HD para os Downloadable Contents e um cabo de vídeo componente para ligar a sua HDTV. É explicito o que o console propõe e qual o mercado que ele deseja atingir, os consumidores que irão utilizar o serviço Live Gold para jogar online e baixar downloadable contents, assim como o modelo Arcade volta para jogadores que querem uma experiencia single player e jogar games da Live Arcade.

Em contrapartida, o que a Sony colocou no mercado desde o inicio foi algo sem direção e sem alvo a atingir, vejo hoje o lançamento do PS3 como um tiro no escuro que a Sony tinha a absoluta certeza que iria atingir em cheio o mercado, e não foi o que aconteceu, as versões que o PS3 tinham não agregavam valor a experiência de jogo, pois assim como um modelo de 20GB atendia tão bem ao jogador quanto um modelo de 60GB.
Hoje ao abrir uma caixa de um Playstation 3, seja o modelo slim ou o tradicional, o conteúdo da embalagem não mostra uma objetividade em que o jogador tira o aparelho da embalagem e simplesmente o liga em sua HDTV. O console não dispõe de um cabo que ofereça imagens de alta definição logo ao desembalar o produto, cabe ao jogador comprar um cabo HDMI, assim como não oferece um headset para que o jogado converse com seus amigos.
A imagem que se tem do PS3 ao abrir sua embalagem é que ele não foi feito com a intenção de ter uma experiência online tão rica quanto a Xbox Live, que isso nunca foi a intenção da Sony e talvez mostre uma ligeira arrogância em cima do que a Microsoft ja oferecia até então ou então um foco erroneo para o conteúdo multimidia que a Sony propõe com o console, o fato é que a PSN já mostrou o quanto os objetivos da Sony mudou, mas o conteúdo da embalagem ainda não demonstra isso.
Do console para o mundo.

Se as conquistas são uma recompensa pelo esforço do usuário em completar determinadas tarefas, não basta apenas deixá-las no console, o objetivo é exatamente compartilhar, mostrar aos amigos o que você fez. Desde o lançamento do Xbox 360, o portal do console mostra suas conquistas e o gamerscore do jogador, tudo isso fora do mundo console/TV. Tudo explicito para o mundo atravez das gamer cards.
O que vimos desde o inicio da geração foi o apogeu da midia social, algo que se arrastava há bastante tempo estourou com redes sociais como Facebook, Twitter, Orkut, etc, a vida de gamer não poderia estar limitada somente à ligação jogador/console, restrito a sua sala ou seu quarto, o jogador quer informar ao mundo o que ele está jogando e o que ele está fazendo.
A API disponibilizada pela Microsoft fez a Live ir para as redes sociais. Com serviços como XboxTweet e XNC, o jogator tem suas conquistas e suas sessões de jogatina anunciadas a todos seus amigos do Twitter e Facebook, é a “jogatina social” indo além das partidas multiplayer para chegar a todos seus amigos, sejam eles gamers ou não.
Se com estes serviços o Xbox vai ao mundo das redes sociais, a implementação do Facebook e Twitter diretamente na NXE, as redes sociais vem ao Xbox. Anunciadas para o fim deste ano esta integração permitirá não só expor aquilo que está jogando atravéz de mensagens, mas também colocar imagens daquilo que está jogando e ainda receber o feedback daquilo que foi postado nas redes sociais.
Nada disso se compara ao sistema arcaico da PSN, nada parece ser automático, nada parece ser intuitivo, as gamer pictures devem ser geradas em um site que exige um cadastro prévio, apesar de ser um sistema muito simples e fácil, nada parece ser integrado, parece ser um sistema feito para tapar um buraco que a Sony simplesmente ignorou.
Se paga aquilo que se tem.
Sim, o fato da PSN ser gratuita é um grande atrativo para a PSN e um enorme ponto para a Sony, mas eu acredito que os 50 dólares anuais pagos pela assinatura da Live é de enorme valia, o valor agregado da Xbox Live é enorme e, o compromisso que este valor impõe à própria Microsoft faz com que a qualidade da Live seja uma garantia ao jogador de que o ambiente estará 99% do tempo disponível para que ele possa jogar aquilo que desejar.
Até hoje, 5 anos após seu lançamento, pode-se jogar Halo 2 do primeiro Xbox na Live e provavelmente haverá jogadores, coisa que não se pode fazer com a grande maioria de jogos online lançados para o PS2 em sua época, vários servidores foram simplesmente fechados, a gratuidade da rede da Sony tem um preço sim, pode ser praticamente nulo para a maioria. Em um episódio que problemas tecnicos afetaram gravemente a disponibilidade da Live, a Microsoft prontamente recompensou aqueles que possuiam a conta gold com um game da Xbox Live Arcade, em contrapartida não há como exigir disponibilidade de uma rede gratuita.
Estratégia acima de tudo.
Se eu fosse resumir todo este artigo em uma única palavra ela seria “ESTRATÉGIA”.

O lançamento do Xbox 360 mostram claramente como a Microsoft tinha um objetivo bem determinado e como esse objetivo cresceu sem perder o foco, erros foram acertados e novos objetivos foram integrados. A live cresceu a partir de um bom trabalho no Xbox anterior, a Microsoft sabia disso e aproveitou para evoluir a rede a um patamar que beira a perfeição, a forma como o console foi lançado e como ele é apresentado ao jogador denuncia que o aparelho é somente o meio de acesso a experiencia que a Live oferece.
Em contrapartida o oposto foi demonstrado com a Sony. Lider absoluto e com méritos na geração anterior, é clara a intenção da Sony em utilizar a mesma estratégia usada no sucesso do PS2 em seu novo console, expandido a experiência para o lado multimidia e evoluindo pouco o modelo online que nasceu no PS2, em pouco tempo ela se viu perdida em meio a todo apelo que a Live oferecia e teve que correr atraz, apesar de ter feito sim um excelente trabalho, o dano ja estava feito, a PSN apesar de ter se mostrado uma excelente forma de se conectar ao mundo multiplayer ficou marcado como algo que tem pouca integração com o console e com o mundo exterior em comparação ao modelo da Xbox live.
A conclusão que tiro da minha longa experiência com ambos modelos online dos consoles é que enquanto o Xbox foi feito PARA A LIVE o mesmo não pode ser dito para o PS3 e sua relação com a PSN. Não há nada de errado nisso, é somente uma questão de estratégia.
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É isso aí, sou obrigado a dizer que eu gosto demais do meu PS3, eu não o venderia por nada atualmente, com certeza é um excepcional console e que há jogos únicos. God of War, Killzone 2, Gran Turismo, entre vários outros são games que fazem o PS3 por si só, único e obrigatório a cada gamer. Mas devo dizer também que a Sony errou feio em sua desajeitada estratégia para o PS3, conseguiu se recuperar com louvor mas marcas foram deixadas, a PSN é uma delas na minha opinião.
A Playstation Network não é nenhum desastre, a rede evoluiu muito mas as peças apesar de serem certas parecem estar frouxas, correr atraz da concorrencia deixou a PSN com um ar de que as coisas poderiam ter sido melhor.
Acredito ainda que a PSN ainda tem muito a amadurecer, e que muito desse amadurecimento virá da experiencia da Sony até agora, creio que em breve a Live terá sim algo com o que se preocupar, mas certamente não será nessa geração.
Até a Próxima!